quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

O GLORIOSO MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO




Depois de afirmar a perfeita divindade de Jesus, o Verbo de Deus (Jo 1.1), o apóstolo João assevera sua perfeita humanidade (Jo 1.14). Jesus é tanto Deus como Homem. É perfeitamente Deus e perfeitamente Homem. O Verbo que criou o mundo fez-se carne e veio morar entre os homens. Possui duas naturezas distintas. É Deus de Deus, luz de luz, co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai e ao mesmo tempo é verdadeiramente Homem. Três verdades devem ser destacadas acerca da encarnação do Verbo.


Em primeiro lugar, o Verbo assumiu a natureza humana. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (Jo 1.14a). O Verbo se fez tem aqui um sentido muito especial. Não é um “se fez” ou “se tornou”, no sentido de ter cessado de ser o que era antes. Quando a mulher de Ló se tornou uma estátua de sal, ela deixou de ser a esposa dele. Mas, quando Ló se tornou pai de Moabe e Amom, ele permaneceu sendo Ló. Esse é, também o caso aqui. O Verbo se fez carne, mas permaneceu sendo o Verbo de Deus (Jo 1.1,18). A segunda Pessoa da Trindade assume a natureza humana sem deixar de lado a natureza divina. Nele as duas naturezas, divino-humana estão presentes inconfundivelmente, imutavelmente, indivisivelmente e inseparavelmente. O fato do Filho de Deus ter se esvaziado e assumido a forma humana é irreversível. Deus, o Filho, sem cessar por um momento de ser divino, uniu-se a à plenitude da natureza humana e se tornou uma autêntica pessoa humana, exceto no pecado. Vemos, portanto, a presença de Deus entre os homens. O Verbo eterno, pessoal, divino, auto-existente e criador esvaziou-se de sua glória, desceu até nós e vestiu pele humana. “A carne de Jesus Cristo tornou-se a nova localização da presença de Deus na terra. Jesus substituiu o antigo tabernáculo. Fez-se um de nós, tudo semelhante a nós, exceto no pecado. Eis aqui o grande mistério da encarnação!


Em segundo lugar, o Verbo trouxe salvação para a raça humana. “… cheio de graça e de verdade…” (Jo 1.14b). Jesus manifestou-se cheio de graça e de verdade. Esses dois grandes conceitos, graça e verdade, não podem estar separados. Em Cristo eles estão em plena harmonia. Graça é um dom completamente imerecido. Algo que jamais poderíamos ter alcançado por nosso próprio esforço. O fato de Jesus ter vindo ao mundo para morrer na cruz pelos pecadores está para além de qualquer merecimento humano. Isso é graça. Jesus é também a Verdade. Nele se cumpriram todas as profecias. Dele falaram os patriarcas e profetas. Para ele apontavam todos os sacrifícios e festas. Ele é a essência do culto e a plena revelação divina. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria.


Em terceiro lugar, o Verbo veio revelar a glória do Pai. “… e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14c). Em Jesus vemos a glória de Deus sobre os homens. Jesus é a exata expressão do ser de Deus. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele é a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. Ele é semelhante ao Pai. Tem a mesma substância. Os mesmos atributos. Realiza as mesmas obras. Jesus é a exegese de Deus. Quem vê a ele, vê o Pai, pois ele e o Pai são um. A glória vista no Verbo encarnado foi a mesma glória revelada a Moisés quando o nome de Javé soou em seus ouvidos; porém, agora, esta glória foi manifestada na terra em uma vida humana. Ele veio cheio de graça e de verdade. Ele veio para trazer a glória plena de Deus entre os homens. Distinto do Pai, mas da mesma natureza do Pai, veio para nos revelar o Pai, em toda a sua glória e majestade e nos conduzir de volta aos braços do Pai. Este é o glorioso mistério da encarnação!




Por Pr. Hernandes Dias Lopes

Versículo do dia

    Versículo do dia Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos se...