Versículo do dia
E o povo se alegrou porque contribuíram voluntariamente; porque, com coração perfeito, voluntariamente deram ao Senhor; e também o rei Davi se alegrou com grande alegria.
E o povo se alegrou porque contribuíram voluntariamente; porque, com coração perfeito, voluntariamente deram ao Senhor; e também o rei Davi se alegrou com grande alegria.
“Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama” (Sl 41.1-3).
O Brasil e o mundo vivem tempos de grande sofrimento e dor. Uma pandemia devastadora assola a terra. Milhões de pessoas já foram ceifadas e tantas outras ainda serão. Essa tempestade que desabou sobre nós, traz em sua esteira não só uma grave crise de saúde pública, mas também, uma profunda recessão econômica. Empresas faliram, comerciantes encerram suas atividades. Empregados foram despedidos. O país ficou mais endividado e os seus cidadãos mais pobres. Os necessitados de toda ordem se avolumaram. Nesse cenário tão cinzento, o texto supra mencionado é de uma relevância sem igual. Destacaremos aqui dois pontos:
Em primeiro lugar, acudir ao necessitado é uma alegria maior do que ser acudido (Sl 41.1a). Em virtude do empobrecimento de milhões de pessoas precisamos cultivar a generosidade, distribuindo parte do que temos, com quem pouco ou nada tem. Seria até mesmo um gesto de crueldade reter com usura aquilo que devemos repartir com misericórdia. A felicidade de dar é maior do que a alegria de receber. A Escritura diz: “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda” (Pv 11.24). Vale a pena relembrar as palavras do missionário Jim Elliot: “Não é tolo aquele que dá o que não pode reter, para ganhar o que não pode perder”.
Em segundo lugar, acudir ao necessitado traz bênçãos memoráveis aos generosos (41.1b-3). Cinco bênçãos são prometidas aos generosos:
Primeira, O Senhor o livra no dia do mal (Sl 41.1b). Vivemos num mundo marcado pelo sofrimento. Aqui ainda não é o céu. Aqui há guerras e terremotos. Aqui há rebeldia contra Deus e violência contra os homens. Aqui há doenças e mortes. Porém, muitos males, como tempestades devastadoras, que estavam endereças a nos atingir, são desviadas de nós, pelo fato de sermos generosos com os aflitos e solícitos com os necessitados.
Segunda, O Senhor o protege e preserva-lhe a vida (Sl 41.2a). Quando protegemos o necessitado para salvar-lhe a vida, Deus vem ao nosso encontro para proteger-nos e preservar nossa vida. O bem que fazemos aos outros, receberemos isso outra vez do Senhor (Ef 6.8). A Escritura diz: “A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado” (Pv 11.25).
Terceira, O Senhor o faz feliz na terra (Sl 41.2b). O homem mais feliz não é aquele que mais retém com ganância, mas aquele que mais reparte com amor. As riquezas acumuladas, com avareza, em dias de calamidade, são cobertas de ferrugem. Elas serão o combustível para a destruição daqueles que a retêm. Deus faz feliz na terra não o rico avarento, mas o compassivo que acode o necessitado. São os que abrem o coração e o bolso para socorrer os necessitados é que são felizes na terra.
Quarta, O Senhor o protege das línguas levianas dos inimigos (Sl 41.2c). Os inimigos carregam uma espada entre os dentes. São línguas que cortam mais fundo do que uma faca afiada. A boca dos perversos destrói como fogo. Como serpentes venenosas, carregam a morte em suas presas. Quando o homem, que foi alvo da misericórdia divina, acode o seu próximo, assistindo-o em suas necessidades, Deus o protege das línguas levianos dos inimigos. Oh, quão doces são os frutos da generosidade! Oh, quão feliz é o homem que minora a dor do próximo! Deus o faz feliz e afasta dele os infelizes.
Quinto, O Senhor promete-lhe conforto e cura na enfermidade (Sl 41.3). O Senhor promete-lhe não apenas assistência e conforto na doença, mas também cura da enfermidade. A cama não se torna mais uma prisão de dor, mas um paraíso de descanso.
Você tem acudido aos necessitados?
Rev. Hernandes Dias Lopes
O evangelista Marcos registra, com retórica irretocável, nos capítulos 4 e 5 de seu evangelho, a singularidade da pessoa de Jesus e a magnitude excelsa de seu poder. Vamos, aqui, destacar quatro aspectos desse poder singular:
Em primeiro lugar, o poder de Jesus sobre a natureza (Mc 4.39-41). Os discípulos estavam enfrentando uma tempestade borrascosa no Mar da Galileia. Baldados todos os esforços, recorreram a Jesus, num tom de censura: “Mestre, não te importa que pereçamos?”. Jesus, com autoridade absoluta, repreendeu o vento e disse ao mar: “Acalma-te, emudece! O vento aquietou-se, e fez-se grande bonança. Sendo Jesus, o criador do universo, ele tem poder sobre a natureza. Ele manda e o sol cessa o seu percurso. Ele ordena e as estrelas aparecem. Ele dá uma ordem e o vento se acalma. Ao comando de sua palavra o mar se encolhe. Sua ordem não pode ser contestada. Seu poder não pode ser desafiado. Ele tem toda autoridade sobre as leis da natureza.
Em segundo lugar, o poder de Jesus sobre os demônios (Mc 5.8). Jesus e seus discípulos chegam em Gadara, região gentílica, composta por dez cidades. Ali havia um cemitério, onde vivia um homem nu, ferindo-se com pedras, furioso, gritando alucinadamente, possesso de uma legião de demônios. Uma legião é uma corporação romana, composta de seis mil soldados. Jesus liberta aquele homem do poder dos demônios, devolve-lhe a sanidade mental. Transforma-o e envia-o de volta à sua família, a fim de contar tudo quanto o Senhor havia feito por ele. Os demônios estão debaixo da autoridade de Jesus. Sob a ordem de Jesus, eles precisam bater em retirada. O mesmo Jesus que é o libertador dos cativos é o atormentador dos demônios.
Em terceiro lugar, o poder de Jesus sobre as enfermidades (Mc 5.28,29). Uma mulher anônima esgueira-se no meio da multidão que aperta Jesus, enquanto o Senhor caminhava para a casa de Jairo. Ela estava sofrendo a doze anos de uma hemorragia. Os médicos já haviam desistido de seu caso. Seus recursos já haviam se esgotado na busca de um tratamento eficaz. Então, ela pensou: “Se eu apenas tocar na orla de suas vestes, eu ficarei livre do meu mal”. Ela tocou nas vestes de Jesus e imediatamente a hemorragia foi estancada. Jesus demonstrou seu poder sobre as enfermidades. Por seu poder os cegos viram, os mudos falaram, os surdos ouviram, os coxos andaram, os leprosos foram purificados e até os mortos ressuscitaram. Para Jesus não tem doença incurável. Ele é o médico onipotente que sara todas as nossas enfermidades.
Em quarto lugar, o poder de Jesus sobre a morte (Mc 5.41,42). Enquanto Jesus caminhava para a casa de Jairo para curar sua filha única de doze anos, vieram alguns de sua casa, dizendo que sua filha acabara de morrer. Jesus, sem se abalar, disse a Jairo: “Não temas, crê somente”. Ao entrar na casa de Jairo, Jesus disse à menina morta: “Menina, eu te mando, levanta-te”. Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar. Jesus demonstrou que ele tem poder sobre a morte. Na verdade, Jesus venceu a morte e arrancou seu aguilhão. A morte foi tragada pela vitória. A morte, mesmo sendo o rei dos terrores e o último inimigo a ser vencido, já não tem mais a última palavra. Jesus matou a morte, ressuscitando e inaugurando a imortalidade. Ele é a ressurreição e a vida e todo aquele que nele crê, nunca mais morrerá eternamente.
Jesus não apenas tem poder sobre a natureza, os demônios, as enfermidades e a própria morte, mas ele tem, também, todo poder e toda autoridade nos céus e na terra. Ele está assentado no trono e tudo faz conforme lhe apraz. Ele tem as rédeas da história em suas mãos e dirige os destinos das nações. Ele levanta reinos e abate reinos. Ele dá a vida e tira a vida. Ele faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece, abaixa e também exalta. Não precisamos ficar de cócoras, assombrados, cheios de pavor diante dos perigos da vida. Podemos confiar em Jesus, sabendo que tudo está debaixo do seu controle e o seu poder é absoluto!
Rev. Hernandes Dias Lopes
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6).
Isaías é conhecido como “o profeta evangélico”. Ninguém como ele, descreveu com cores tão vivas e de forma tão eloquente o Messias que haveria de vir, bem como a glórias de seu reino. Falou com diáfana clareza sobre seu nascimento, vida, morte e ressurreição. No texto em tela, Isaías fala sobre o esplendor do Rei que haveria de vir, o Messias, o nosso glorioso Redentor. Vejamos:
Em primeiro lugar, Ele tem o poder de governar. O menino que nasceu de uma virgem, foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura é o Rei dos reis, aquele a quem foi confiado o reino eterno, que jamais passará. Ele governa o universo, dirige as nações e tem as rédeas da história em suas mãos. Ele é o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus selos. Ele desceu da glória às profundezas da humilhação e foi exaltado pelo Pai às alturas excelsas da glorificação. Diante dele todo joelho precisa se dobrar e toda língua precisa confessar que Ele é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Ele reina soberanamente e colocará todos os seus inimigos debaixo dos pés, pois o governo foi colocado sobre seus ombros.
Em segundo lugar, Ele é o Maravilhoso Conselheiro. Muitos príncipes subiram ao trono e foram apeados do trono sem deixar de si saudades. Muitos usaram o poder para oprimir seus súditos. Porém, o Messias governa com justiça. Suas leis são justas. Suas palavras são verdadeiras. Seus atos são cheios de misericórdia. Toda a terra está cheia de sua bondade. Suas palavras são espírito e vida. Só ele, na verdade, tem palavras de vida eterna. Ele é o refúgio dos cansados, o abrigo dos desamparados, a cidade refúgio dos perseguidos. Sua graça é perdoadora, seu amor é restaurador, suas palavras são medicina para alma e tônico para o coração. Aqueles que ouvem sua voz são bem-aventurados. Aqueles que seguem seus conselhos são felizes. Aqueles que andam por seus caminhos são vitoriosos. Ele é a fonte de toda sabedoria. Nele está a vida, a própria vida eterna. Ele é o Maravilhoso Conselheiro.
Em terceiro lugar, Ele é o Deus Forte. Há muitos deuses no mundo, mas um só vivo e verdadeiro. Há muitos que são chamados de deuses, mas são desprovidos de poder. O nosso glorioso Redentor, porém, é Deus autoexistente, infinito, imenso, eterno, imutável, onisciente, onipresente, onipotente, transcendente, soberano. Ele conhece tudo e a todos sonda. Ele está em toda a parte e ninguém pode escapar de suas mãos. Ele tudo pode e nada lhe é impossível. Agindo ele, ninguém pode impedir a sua mão. Do nada, ele tudo criou. Ele sustenta o universo e preserva a vida de todos. Para ele não tem causa perdida, não tem vida irrecuperável nem problema sem solução. Ele faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade.
Em quarto lugar, Ele é o Pai da Eternidade. Ele é antes de todas as coisas. Ele existe antes do princípio, antes do tempo e antes da história. Só ele e eterno. O universo só existia em sua mente, quando ele existia desde a eternidade. O sol ainda não brilhava nem as estrelas ainda estavam salpicadas nos vastos mundos estelares, mas ele já existia. Os anjos ainda não ruflavam suas asas para atender às suas ordens, mas ele já existia em perfeita comunhão com o Pai, antes dos tempos eternos. Ele vive antes do tempo. Ele é o Senhor do tempo. Ele continuará sendo Deus Eterno mesmo depois que as lâmpadas do tempo se apagarem. Quando a eternidade vastíssima e insondável abrir suas cortinas para a bem-aventurança eterna, ele mesmo será a lâmpada do céu, a alegria dos homens, o centro de todas as coisas, o Pai da Eternidade.
Em quinto lugar, Ele é o Príncipe da Paz. Muitos príncipes subiram ao trono e promoveram guerras sangrentas e injustas, mas o Messias é o Príncipe da Paz. Ele é a nossa própria paz. Por meio dele temos paz com Deus e a paz de Deus. Aqueles que vivem debaixo do seu governo recebem a paz perene que o mundo não pode dar. Onde ele reina prevalece a paz com Deus, com os homens e com nós mesmos. Neste mundo ferido pela guerra e atordoado pelas injustiças, é mister submetermo-nos ao Príncipe da Paz. Ele é a resposta para este mundo aflito. Só quando nos submetermos ao governo que está sobre seus ombros seremos verdadeiramente felizes e desfrutaremos da verdadeira paz.
Rev. Hernandes Dias Lopes
Samuel fez a transição do governo teocrático para a monarquia em Israel. Foi o maior profeta, sacerdote e juiz de sua geração. Foi um homem íntegro e um intercessor incansável. Sua história enseja-nos algumas lições preciosas:
Em primeiro lugar, ele foi prometido a Deus antes mesmo de ser concebido. Ana, sua mãe, era estéril. Ela orou a Deus por vários anos, e isso, com lágrimas, para conceber. Ela não apenas queria ter um filho, mas desejava ter um filho para consagrá-lo para Deus. Não apenas pediu um milagre ao Senhor, mas decidiu devolver para Deus o fruto do milagre. Samuel foi concebido por uma intervenção extraordinária de Deus. Para Samuel ser concebido, Deus deu vida ao ventre amortecido de Ana. Samuel foi resposta da oração e da consagração de sua mãe.
Em segundo lugar, ele foi devolvido ao Senhor na sua infância. Ana fez um voto a Deus e cumpriu-o. Mesmo sabendo que Eli já estava velho, pesado e praticamente cego; mesmo consciente de que os filhos de Eli, Hofni e Fineas, eram sacerdotes adúlteros e filhos de Belial, não retrocedeu no seu compromisso de levar o menino desmamado e entregá-lo aos cuidados do sacerdote Eli. Ana confiou que o mesmo Deus que dera Samuel a ela, era poderoso para cuidar de seu filho. Sua confiança na providência de Deus jamais claudicou. As marcas que Ana imprimiu na vida de Samuel deram a ele a base para viver longe do lar, mas perto de Deus.
Em terceiro lugar, ele foi crescendo adequadamente na presença de Deus. A religião naquele tempo estava em baixa. Eli já estava velho demais e seus filhos eram depravados demais. Mesmo assim, o povo ia a Silo. Mesmo que os sacerdotes não levassem Deus a sério, Deus estava no santuário. Foi nesse ambiente hostil que Samuel cresceu. Todos os anos Ana subia a Silo com uma roupa nova para Samuel, de acordo com o seu crescimento. A roupa do ano anterior não era mais adequada. À medida que Samuel foi crescendo sua mãe preparava-lhe uma roupa adequada à sua estatura. Samuel desenvolveu-se física e espiritualmente.
Em quarto lugar, ele aprendeu a ouvir a voz de Deus com Eli. Eli já estava cego, e com muitas cicatrizes na sua vida espiritual, mas ainda era um homem de Deus. Samuel ainda não sabia distinguir a voz de Deus. Eli ensinou-o a não apenas a ouvir, mas também a atender à voz de Deus. Os nossos líderes espirituais podem ter sido falhos, mas nem por isso, Deus deixou de usá-los para nos ensinar. Longe de Samuel insurgir-se contra Eli, ele cresceu sob os cuidados de Eli e Deus o honrou.
Em quinto lugar, ele confrontou o pecado da liderança espiritual da sua nação. Samuel recebeu de Deus uma mensagem de juízo à casa de Eli e não se acovardou em entrega-la integralmente. Ele foi fiel na entrega da sentença divina ao velho sacerdote Eli e seus filhos. Eli, seus filhos e uma de suas noras morreram no mesmo dia em que a arca da aliança foi roubada pelos filisteus. Nesse mesmo dia fatídico, trinta mil homens caíram à espada no campo de batalha. O pecado é maligníssimo. Suas consequências são desastrosas e devastadoras.
Em sexto lugar, ele confrontou o pecado da liderança política da nação. Samuel foi um homem de Deus, mas não um homem perfeito. Ele foi íntegro, mas não logrou êxito na criação de seus filhos. Ele foi honesto, mas seus filhos eram homens avarentos. Mesmo sabendo desses desvios de comportamento dos filhos, nomeou-os como juízes em seu lugar, no que foi severamente confrontado pelos anciãos do povo. A monarquia em rejeição à teocracia foi gestada dentro da casa de Samuel. Inobstante, seus percalços espirituais, Samuel ungiu Saul como primeiro rei de Israel e não hesitou em confrontá-lo em sua desobediência. Porque Deus rejeitou Saul, Samuel por orientação divina ungiu Davi em lugar de Saul.
Em sétimo lugar, ele foi um intercessor incansável. Samuel jamais deixou de orar pelo povo. Ele chegou a dizer que deixar de orar pelo povo era pecar contra Deus. Seu ministério de intercessão foi comparado ao ministério de intercessão de Moisés. Ambos foram conhecidos como os grandes intercessores de Israel (Jr 15.1-4). Sua mãe foi uma mulher de oração e Samuel aprendeu a orar com ela desde sua mais tenra idade. Ele não só falava de Deus ao povo, mas também falava do povo para Deus. Samuel conheceu a Deus e tornou Deus conhecido. Ele foi um profeta intercessor.
Rev. Hernandes Dias Lopes
O livro de Salmos é uma coletânea de cento e cinquenta poemas. Este é o maior livro da Bíblia e foi dividido, à semelhança dos Pentateuco, em cinco livros: 1-41; 42-72; 73-89; 90-106; 107-150. Esses cento e cinquenta Salmos foram escritos por vários autores, desde Moisés a Davi, Salomão, Asafe, os filhos de Coré, Hemã, Etã e vários outros autores anônimos. Os Salmos foram escritos num período de aproximadamente mil anos, uma vez que temos um Salmo de Moisés (90), que viveu mil e quinhentos anos antes de Cristo e temos Salmos pós-cativeiro babilônico (126), ocorrido próximo ao ano quinhentos antes de Cristo.
Davi é o autor da quase a metade dos Salmos. Muitos Salmos anônimos são atribuídos a ele, por parte de destacados eruditos. Isso faria de Davi o autor da maioria dos Salmos. Inobstante os Salmos expressarem, nitidamente, a realidade dos escritores, seja de alegria ou tristeza, certeza ou temores, fé ou dúvida, estes poemas são inspirados pelo Espírito Santo e fazem parte do cânon sagrado.
Toda a Escritura é inspirada por Deus. A Escritura é a inerrante Palavra de Deus que fala a nós; os Salmos, todavia, falam também por nós. Transbordam desses poemas as mais diversas experiências vividas pelos escritores. Por isso, temos Salmos de louvor, Salmos de lamento, Salmos de penitência, Salmos imprecatórios, Salmos de romagem e Salmos messiânicos. Esses poemas foram compostos para serem cantados pelo povo de Deus e eram uma expressão de sua fé. Os Salmos expressam as alegrias da vida e as dores da jornada, os arroubos do entusiasmo e o abatimento da alma. Os picos ensolarados da esperança e os valores profundos do desespero. Os Salmos são uma radiografia da alma, um termômetro da vida espiritual. Eles falam da alegria da salvação, do deleite que temos na Palavra e alertaram para a malignidade horrenda do pecado.
O livro de Salmos é, mui provavelmente, a porção mais lida nos cultos público e nas devocionais pessoais. Eles são cânticos e, também, orações. Em virtude desses poemas retratarem a experiência de seus escritores, são mais facilmente compreendidos e mais facilmente aplicados ao nosso cotidiano. Os Salmos, na verdade, foram e ainda são a parte mais importante da hinódia de muitos cristãos. Os reformadores metrificaram os Salmos e cantaram os Salmos. Os Salmos falam a nós e por nós. São uma estrada de pista dupla. Por meio dos Salmos Deus fala conosco e por meio deles falamos com Deus.
O livro de Salmos tem sido fonte inesgotável de consolo. Compartilhamos sua mensagem nos tempos de alegria e, também, para expressar nossas angústias. Os Salmos são lidos em festas de aniversário e, também, nos funerais. São lidos nas reuniões públicas e, também, no recesso do nosso quarto.
Muito embora, os Salmos não têm como escopo principal dar-nos um arcabouço teológico e doutrinário, eles estão cheios de doutrina. As grandes doutrinas da fé cristã estão presentes nessa coletânea de poemas: a doutrina das Escrituras; a doutrina da Pessoa de Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo; a doutrina da criação e da providência; a doutrina do homem, do pecado e da redenção; a doutrina dos anjos e a doutrina da igreja; a doutrina da segunda vinda de Cristo, da ressurreição dos mortos e do juízo final. É de estranhar, portanto, que o livro de Salmos seja o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento.
Minha oração é que o mesmo Espírito que inspirou este precioso e amado livro da Bíblia nos desperte para sua leitura e meditação. Que a mensagem dos Salmos seja para nós mais preciosa do que muito ouro depurado e mais doce ao nosso paladar do que o mel e o destilar dos favos. Que haja em nosso coração um renovo de amor à Palavra e um apego a esses poemas dados por Deus para a edificação da sua igreja.
Rev. Hernandes Dias Lopes
O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.
O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.
As crianças brasileiras estão sendo atacadas, com rigor desmesurado, sob a omissão de muitos, o silêncio de outros e o prejuízo de todos. Se não bastasse a tolerância com a ditadura do relativismo, estamos assistindo, estarrecidos, uma gritante inversão de valores em nossa sociedade. Usar crianças para promover a causa da ideologia de gênero é o fim da picada. Introduzir, precocemente, nossas crianças à uma sexualidade contrária à natureza é confundir a cabeça delas, solapar os alicerces da família e perverter a fé cristã. Muito embora tenha existido um silêncio sepulcral das autoridades competentes para dar um basta nessa afronta, muitos setores da sociedade ergueram sua voz de protesto contra esse descalabro.
Recorro à Palavra de Deus para conclamar as famílias cristãs a uma tomada de posição em relação aos nossos filhos. Valho-me do Salmo 78.1-8. Este texto enseja-nos três importantes lições. Vejamos:
Em primeiro lugar, os pais não podem sonegar aos seus filhos o legado espiritual que receberam (Sl 78.1-4). Felizes são os pais que beberam o leite da piedade desde a infância. Felizes são aqueles que aprenderam as sagradas letras desde os primórdios de sua vida e foram instruídos na verdade. Esse legado é melhor do que riquezas. Os pais que foram instruídos no passado, não podem sonegar nem encobrir aos seus filhos o que ouviram e viram de seus pais. Estamos numa corrida de revezamento. Se falharmos em passar o bastão da verdade para nossos filhos, o mundo vai ocupar esse espaço para confundir a mente deles. O papel da educação moral e espiritual dos filhos pertence aos pais e não ao Estado nem mesmo às escolas. Cabe aos pais, sobretudo, aos pais cristãos, lutar pelos seus filhos e transmitir a eles a verdade do Evangelho e os valores do reino de Deus.
Em segundo lugar, os pais precisam contar à vindoura geração as excelências dos atributos de Deus bem como suas grandes obras (Sl 78.4). Os pais são os mais importantes mestres de seus filhos. Cabe a eles esse sacrossanto ministério de informar e formar seus filhos. Sonegar a verdade aos filhos ou entregá-los à cultura decadente, para que sejam doutrinados pela cartilha da inversão de valores é decretar a falência da família, a decadência da igreja e a ruína da nação. Os grandes impérios do passado foram destruídos não por forças externas, mas pela imoralidade interna. Os historiadores dizem que o império romano só caiu nas mãos dos bárbaros porque já está podre por dentro. É hora de os pais tomarem posição. Chegou a hora de assumirem seu papel de sacerdotes do lar. É tempo de ocuparem a posição firme do corajoso comandante Josué, que disse: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).
Em terceiro lugar, os pais não devem descansar até ver seus filhos comprometidos com a Palavra de Deus (Sl 78.5-8). Deus estabeleceu um testemunho e instituiu uma lei e ordenou aos nossos pais que os transmitissem a seus filhos. Esses preceitos da Palavra de Deus precisam ser passados para a nova geração, para que esta conheça a verdade e a transmita também a seus filhos. Não podemos interromper esse discipulado. Não podemos falhar nesse processo. Cada geração precisa conhecer a Deus e a sua Palavra. Basta uma geração desatenta e o mundo, com seus ardis, ocupará esse espaço para arruinar seus valores e perverter sua vida. Resta claro afirmar, porém, que os pais não podem ensinar apenas pelo preceito, mas também, e sobretudo, pelo exemplo. Antes dos pais inculcarem a verdade nos filhos, essa verdade precisa estar acesa em seu coração. Os pais devem ensinar os filhos não o caminho que eles querem andar, nem mesmo o caminho que eles devem andar. Os pais devem ensinar no caminho, sendo exemplo para eles. Filhos bem instruídos e fortalecidos pelo exemplo dos pais colocarão em Deus a sua confiança e não serão massa de manobra deste mundo que está posto no maligno.
Rev. Hernandes Dias Lopes
“Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1Jo 5.13).
O apóstolo João escreveu esta epístola no final do primeiro século, com o propósito de dar ciência ao povo de Deus, em tempos de atroz perseguição, que ele tinha sua salvação assegurada. No versículo em epígrafe, três verdades devem ser destacadas:
Em primeiro lugar, uma informação comunicada. “Estas coisas vos escrevi…”. João é o próprio remetente desta carta aos crentes. Ele é apóstolo de Jesus Cristo, com solene autoridade para comunicar ao povo de Deus sua expressa vontade. Quando João escreveu esta epístola, todos os demais apóstolos de Jesus já estavam mortos, e mortos pelo viés do martírio. É desnecessário dizer que João não escreve por contra própria. Ele é inspirado por Deus para fazer este registro. O verdadeiro autor da carta é o Espírito Santo. João é o escritor que faz o registro da revelação divina, assistido pelo Espírito de Deus. Se no evangelho que leva o seu nome, João escreveu para que seus destinatários pudessem crer e ter a vida eterna em Cristo, agora, nesta epístola, escreve para dizer aos que creram que sua salvação estava assegurada.
Em segundo lugar, uma doutrina defendida. “… a fim de saberdes que tendes a vida eterna…”. João é meridianamente claro em afirmar que aqueles a quem remete esta carta já estavam salvos. O tempo verbal, aqui empregado, é por demais óbvio para se levantar quaisquer suspeitas acerca da inabalável segurança que os salvos têm. Os crentes não devem sentir, mas saber que eles têm a vida eterna. A posse da vida eterna, muito mais do que um mero sentimento, é uma convicção intelectual. A perseverança dos santos é uma doutrina posta e defendida em toda a Bíblia. Porque a salvação é uma obra exclusiva de Deus, ele mesmo a assegura. Porque o próprio Deus planejou, executou e consumará nossa salvação podemos ter absoluta segurança de que nada nem ninguém pode nos arrancar dos braços de Jesus. Nossa segurança não decorre do que fazemos, mas do que Cristo fez por nós. É o próprio Deus quem completará a obra que começou a fazer em nós. Fomos escolhidos na eternidade. Fomos chamados no tempo. Fomos justificados pela fé. Fomos selados com o Espírito Santo da promessa. Já recebemos o penhor do Espírito Santo. Nosso nome está escrito no livro da vida. Morremos e ressuscitamos com Cristo para uma nova vida. Estamos assentados com Cristo, nas regiões celestiais, acima de todo principado e potestade. Estamos escondidos com Cristo em Deus. Estamos nas mãos do divino pastor e das suas mãos ninguém pode nos arrancar. Podemos, portanto, tomar posse da vida eterna. Ela nos foi dada gratuitamente e devemos nos apropriar dela pela fé.
Em terceiro lugar, uma condição inegociável. “… a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”. A salvação não é uma conquista das obras, mas uma oferta da graça. Não somos salvos pelas obras nem pelas obras mais a fé. Somos salvos pela graça mediante a fé em Cristo, o Filho de Deus. Todo aquele que crê em Cristo tem a vida eterna. Só aqueles que nele creem são salvos. Nenhum esforço humano pode salvar. Nenhuma religião pode salvar. Nenhuma igreja pode dar a vida eterna. Nenhum ritual religioso ou sacrifício pessoal pode levar o homem ao céu. Mas, a todos quantos recebem a Cristo, recebem o poder de serem feitos filhos de Deus. A fé em Cristo é a condição única e inegociável para a salvação. Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus Cristo é o Caminho para Deus e a porta do céu. Ninguém pode ir a Deus senão por ele. A salvação está assegurada a todos aqueles que nele creem e só a esses.
Rev. Hernandes Dias Lopes
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